"A Arte da Imperfeição"
Autora: Brené Brown
Tradução: Antonio Carlos Vilela
183 páginas
Sinopse: Este importante livro é sobre a jornada de uma vida, deixando de se preocupar com "O que os outros vão pensar?" e acreditando que "Eu sou suficiente". A habilidade ímpar da autora em misturar pesquisa original com relatos faz com que a leitura de A Arte da Imperfeição pareça uma longa e animadora conversa com uma amiga muito sábia que oferece compaixão, sabedoria e ótimos conselhos. A cada dia nos deparamos com uma enxurrada de imagens e mensagens da sociedade e da mídia nos dizendo quem, o que e como devemos ser. Somos levados a acreditar que, se pudéssemos ter um olhar perfeito e levar uma vida perfeita, já não nos sentiríamos inadequados. E se eu não posso manter todas essas bolas no ar? Por que não é todo mundo que trabalha duro e vive às minhas expectativas? O que as pessoas vão pensar se eu falhar ou desistir? Quando posso parar de provar a mim mesmo? Em A Arte da Imperfeição, Brené Brown, Ph.D, é uma especialista em vergonha, autenticidade e compartilha a coragem que aprendeu em uma década de pesquisas sobre o poder de viver sinceramente.
"Abandone a pessoa que você acha que deve ser e seja você mesmo". Brené Brown
Sou um quanto cética em relação aos livros autoajuda e, como
não podia ser diferente, foi o ceticismo o primeiro sentimento que tive ao ver
sobre o que se tratava esse livro da nossa parceira Novo Conceito. Geralmente,
fico um tanto quanto irritada ao me deparar com livros com os famosos 10 passos
para a popularidade, riqueza, amor, beleza e todo esse blábláblá. Fico cansada
só em pensar em todos esses títulos que tratam as questões humanas como se
fossem meros cálculos matemáticos, ciência exata, do tipo faça isso e terá
aquilo, vista isso e será popular... realmente, se tudo fosse simples assim,
seríamos todos ricos, lindos e maravilhosos.
E foi com esse ‘pré-conceito’ que comecei a ler “A Arte da
Imperfeição”, esperando mais um guia de passos para os meros mortais.
Obviamente, nem todos os livros autoajuda são assim e muitos podem surpreender
por fazer uma análise mais rica do ser humano. Acredito que esse título seja um
dos capazes de surpreender, pelo menos foi isso o que aconteceu comigo. Nas
primeiras páginas, pude perceber que seria uma leitura diferente, mais
reflexiva e introspectiva e menos “você deve ser assim de qualquer jeito”. Como
a própria Brené Brown salienta (pg. 60) a “lista era sintomática dos nossos
medos culturais. Nós não queremos nos sentir mal. Queremos uma lista rápida de
como fazer para sermos felizes”. (qualquer semelhança com “Os 10 passos
para...” não é mera coincidência). Não sei se é pela minha alta tendência à
psicologia, mas eu fiquei encantada com a escrita dessa autora que, com
exemplos e experiências pessoais, descreve o círculo vicioso ao qual a cultura
da nossa sociedade coloca a todos – o de precisarmos ser os melhores em tudo e
agradar a todos para, só assim, sermos felizes.
De certa forma, esse livro, apesar de se enquadrar na
categoria autoajuda, parece correr contra todos os títulos com os quais estava
acostumada a ver nessa sessão. Ao invés de pedir ao leitor que mascare suas
imperfeições para ser o mais querido e popular, a autora Brené Brown aborda a
questão da autenticidade, da aceitação das nossas vulnerabilidades e fraquezas
humanas, pois, afinal, somos imperfeitos, o que não nos impede de sermos
valiosos. Brown afirma que a grande angústia e ansiedade do mundo atual derivam
justamente dessa necessidade contínua da perfeição, do agradar sempre, do ser
melhor em tudo para se adaptar e atender às expectativas, muitas vezes,
alheias.
Não sei explicar o porquê, mas esse livro, apesar de não ser
do mesmo gênero, me fez lembrar bastante de “Comer, Rezar e Amar”. Acredito que
seja pela forma conselheira e autoreflexiva da autora, características que
notei igualmente em Elizabeth Gilbert, quando li seu livro. Talvez leitores que
gostaram desse livro também possam gostar de “A Arte da Imperfeição”. Também
não posso deixar de elogiar a capa desse livro, pois chamou muito a minha
atenção logo que vi – simples e colorida, com uma árvore que eu achei linda,
apesar de torta e com apenas 2 maçãs (relação perfeita com o título).
Enfim, é um livro que recomendo a leitura. É leve, rápido e
muito interessante. E se tu, assim como eu, também és um descrente em relação à
sessão autoajuda, acredito que possa se surpreender com esse livro.
By Débora