"O Torneio dos Céus" de Leandro Schulai

segunda-feira, novembro 14, 2011


“O Torneio dos Céus” –  Livro 1 da série O Vale dos Anjos
Autor: Leandro Schulai
Editora: Novo Século (selo Novos Talentos)
414 páginas

Sinopse: Esse primeiro volume nos apresenta nosso protagonista Dimitris. Um jovem rapaz que vive tranquilamente com sua esposa Mariah na cidade de Atenas. O que ele não esperava era um acontecimento trágico que viria a levar sua vida precocemente. És então que sua aventura começa. Orientado pelo anjo guia de enterro denominado Obelisco, Dimítris conhece o mundo que lhe espera: O Vale dos Anjos. Local que é separado pela beleza e curiosidades do paraíso e a crueldade e mistérios das oito prisões. Levado por esse mundo místico e cheio de novidades, Dimítris parte em busca de seu pai falecido e uma maneira de voltar à vida para ficar ao lado de sua amada Mariah e cumprir a promessa que efetuara. Leia mais. 





Olá pessoal, tudo bem?

Hoje viemos com a resenha do nosso parceiro Leandro Schulai. E pode sentar aí que o texto é grande! Temos o livro desde abril, mas só agora estamos resenhando, pois não foi uma leitura fácil e vamos dizer o porquê.

Cada vez que um livro de parceria chega para nós, ele entra automaticamente para a nossa ‘lista de prioridade’, ou seja, lemos antes daqueles adquiridos através de compra. Até aí tudo bem. Mas e quando o livro não agrada, a leitura não deslancha e o estilo de escrita não te convence? Bom, foi isso que aconteceu conosco. Desde abril, tentamos dar atenção a esse livro, mas, por ele não ter sido prazeroso, diversas vezes interrompemos a leitura (às vezes, acontece de ‘o momento’ não ser propício a determinado livro) e o deixamos de lado. A cada retomada da leitura, vínhamos com esperança, do tipo “agora vai”, mas não ia. Resumindo: a leitura foi certa obrigação para nós.

Por incrível que pareça, escrever sobre um livro que não agrada é várias vezes mais difícil que escrever sobre aqueles que adoramos, afinal a nossa crítica precisa ser construtiva. Então, vamos à nossa análise. A história de “O Torneio dos Céus” é sobre um jovem grego, Dímitris, na faixa dos 20 anos, que sofre um infarto enquanto dirige e acaba morrendo. Dímitris é casado com Mariah e um trabalhador dedicado, sendo admirado por todos. A morte prematura pega todos de surpresa, especialmente Dímitris que, de repente, se vê num mundo à parte e diante de figuras que nunca imaginou existirem – anjos. É nesse mundo que todos vão parar após a morte e o julgamento que define se o réu é merecedor do paraíso ou inferno. 

Schulai criou diversas teorias para esse ‘mundo paralelo’, entre elas a que se refere aos anjos, que são os detentores de poder nesse local. Em todas as etapas dessa ‘pós-vida’, a presença de anjos é constante e eles estão divididos em hierarquias que definem suas obrigações e limites. Desde a morte, até o dia a dia na ‘nova vida’, os anjos auxiliam os humanos. Entre eles, há os anjos voluntários, os anjos carcerários, os anjos guia-de-enterro, anjos deuses, entre outros.

Ao morrer, Dímitris logo se depara com Obelisco, seu anjo guia-de-enterro, que, como o próprio nome diz, nada mais é que um guia na ‘pós-vida’.  É ele quem acaba respondendo as primeiras dúvidas de Dímitris e o levando para o seu julgamento, onde serão rememorados todos os momentos de sua vida e decidido se ele merece o inferno ou o paraíso. É no julgamento que ele encontra Malaquias, o anjo-deus (uma espécie de juiz, ser supremo), e se depara com Isaac (anjo voluntário que mostra os bons atos do réu) e Overlord (anjo carcerário que apresenta os maus atos do réu). 

É já durante o julgamento que podemos notar características que se tornaram irritantes para nós. Primeiramente, a descrição do personagem é feita por repetição de adjetivos. Dímitris é apresentado como sendo sempre muito belo, perspicaz, inteligente, corajoso, personalidade forte... Enfim, nada nos surpreende, não há aquela surpresa pelo que acontece com o personagem, pois, afinal, ele é sempre descrito da melhor forma possível, cheio de adjetivos positivos, com o melhor caráter e argumentos convincentes que, mesmo quando ele é posto em situações difíceis, a gente já sabe que ele vai se dar bem.  O autor não nos fez chegar à conclusão de que o personagem tinha essas características, apenas apresentou adjetivos que, sinceramente, não nos convenceram.  

De certa forma, achamos superficial a descrição dos personagens e locais. Não basta adjetivos, é preciso concretizar aquilo que se quer dizer para que o leitor possa imaginar. Para exemplificar, é difícil imaginar um cenário dito ‘belo’, como muitas vezes o autor denominou os locais (um castelo belo, uma mulher bela, uma paisagem bela...). Fica faltando elementos! O mesmo aconteceu com a narração em si, que mais pareceu uma lista de ações que tirava a naturalidade do texto.

“O juiz sentou-se no trono principal, e Dímitris ficou impressionado com a altura daquele homem, cujos cabelos eram ruivos e espalhafatosos, e os olhos azuis, além de ser fisicamente forte”. Sinceramente, vocês não gostariam de imaginar esse personagem da mesma forma que o autor? Para nós, uma descrição bem feita ocorre com a descrição dos sentimentos ao invés de uma lista de adjetivos. É como a que o autor conseguiu fazer na pg. 34, quando ele diz “Dímitris estava pasmo, tão assustado quanto uma criança no escuro... parecia um acusado com a arma do crime nas mãos”, ou seja, o autor usou poucos adjetivos, mas descreveu a situação de forma mais concreta e interessante. Pena que isso acontece poucas vezes. “Ele procurou uma maneira de fazer com que as 3 horas passassem logo. Passado esse tempo...”. Como assim, o quê o personagem fez durante esse tempo?

Outra coisa que nos chamou a atenção foi o tamanho dos parágrafos – excessivamente longos.  Não foram poucas as páginas em que simplesmente havia um único parágrafo. Isso sem falar em algumas falas desnecessárias ou clichês. Não podíamos deixar de falar também no excesso e repetição desnecessária de conjunções, principalmente “no entanto, contudo, entretanto, então, todavia”, que começaram a ‘poluir’ o texto, tirando a fluidez da leitura.

Sobre os diálogos, acreditamos que poderiam ter mais personalidade. No momento de criação dos personagens, o autor precisa desenvolver o estilo próprio para cada um deles e isso deve refletir em suas falas. O que percebemos foi que, muitas vezes, os personagens tinham uma mesma forma de falar, em sua maioria, com o uso de “Olha...” no início dos diálogos. Não nos parece convincente que humanos e anjos com anos de existência tenham um mesmo estilo de conversação.

Outro ponto que não podíamos esquecer foi o fechamento do livro. “O Torneio dos Céus” é o livro 1 da série “O Vale dos Anjos”. Como toda série, em cada livro há o desfecho de algum núcleo da história, ou seja, pelo menos algumas perguntas são respondidas e alguns dilemas são resolvidos. No caso de “O Torneio dos Céus”, isso não aconteceu. A história ficou totalmente em aberto, sem nenhuma das dúvidas terem sido tiradas.  

Enfim, de forma geral, gostamos bastante da ideia da história, mas a concepção e a construção da estrutura em si não nos agradaram e precisariam ser revistas.  É nessas horas que pensamos como um bom editor faz falta aos autores independentes do Brasil – muitas histórias acabam se perdendo e isso, geralmente, é por falta de um olhar mais técnico que ajude o autor em encontrar o rumo da história, em cortar aqui e ali, em melhorar certas partes e apontar falhas. Como vocês devem saber, nossos autores independentes precisam praticamente arcar com os custos da sua publicação e, mesmo sob selos como o da Novos Talentos da Editora Novo Século, não contam com o acompanhamento de profissionais no desenvolvimento ou finalização da obra como ocorre na forma tradicional (a editora paga toda a produção da obra, mas, esperando retorno financeiro, fica mais crítica em relação ao trabalho do autor). Isso faz com que diversas histórias – com ideias ótimas – cheguem cruas ao mercado, sem aquela lapidação, aquele ‘pulo do gato’, como diria um antigo professor nosso.  

Para o autor, um bom editor se torna essencial justamente no trabalho de achar esses detalhes que muitas vezes foge do olho daquele que escreve. Quem nunca precisou de um amigo para reler um texto justamente pelo olho estar “viciado” e não conseguir encontrar aquelas falhas que, às vezes, estão tão evidentes. Se até na faculdade precisamos de orientadores, o mesmo ocorre com os escritores. Admiramos o trabalho e o esforço de Leandro Schulai, pois escrever um livro é, antes de mais nada, um ato de coragem, afinal a história que antes era só sua passa a ser dos outros e está fadada a diversas críticas. Por isso, nessa resenha, tínhamos por objetivo não só dizer que não gostamos do livro, mas fazer uma crítica construtiva, afinal é ela que faz crescer. Esperamos que as ideias aqui expostas não sejam vistas como um desmerecimento do autor, muito pelo contrário, queremos que o livro possa ser revisto e aperfeiçoado, que fique maduro, pois a ideia da história é promissora e pode conquistar muitos fãs.

Pessoal, desculpa o tamanho da resenha, não é hábito do blog postar textos desse tamanho, mas tínhamos muita coisa a dizer sobre o livro e criticar por criticar, dizendo simplesmente que não gostou, é o mesmo que nada.   

By Débora e Alessandra

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4 comentários

  1. Muito boa a resenha! As pessoas pensam que, pelo motivo de não gostarem de algo, podem sair falando mal e "esculachando" tudo...assim fica mais fácil, lógico!! Uma crítica construtiva é sempre bem-vinda, pois ajuda a reparar erros para ficar cada vez melhor!! Sobre o livro, achei bacana o enredo e toda a história, porém, esses detalhes citados comprometem muito o andamento!!!

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  2. Oi :)
    Gostei muito do blog de vocês duas, estão de parabéns :)
    Ótima resenha :)

    Beijos :*
    Natalia.
    http://musicaselivros.blogspot.com/

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  3. Eu to pra ler esse livro do Leandro há muito tempo, mas eu ainda não tive chance.
    Na única vez que eu achei em uma livraria, tava muito caro! Não deu pra comprar mesmo. :/
    Adorei a resenha!
    E seu blog é ótimo! Acabei de conhecer e já estou seguindo. :)

    Um beijo,
    Luara - @luuara
    http://estantevertical.blogspot.com/

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  4. Eu tenho muita vontade de ler esse livro, de verdade. E mesmo com a crítica de voces, não perco essa vontade, porque acho que é sempre bom tirarmos nossas próprias opiniões, certo? mas sei como é isso de prioridade e às vezes simplesmente não conseguirmos, não é fácil, mas não se sintam culpadas.
    Parabéns pela resenha, sei como é difícil criticar um livro, porque sempre tem aquela pessoa que chega reclamando da sua crítica, mas vocês a construiram muito bem!

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