"Cruzando o Caminho do Sol" de Corban Addison

sexta-feira, julho 06, 2012

"Cruzando o Caminho do Sol"
Autor: Corban Addison
Tradução: Mariângela Vidal Sampaio Fernandes
Editora: Novo Conceito
447 páginas

Sinopse: Sita e Ahalya são duas adolescentes de classe média alta que vivem tranquilamente junto de seus familiares, na Índia. Suas vidas tranquilas mudam completamente quando um tsunami destrói a costa leste de seu país, levando com suas ondas a vida dos pais e da avó das meninas. Sozinhas, elas tentam encontrar um modo de recomeçar a vida. Mas elas não devem confiar em qualquer um...
Enquanto isso, do outro lado do mundo, em Washington, D. C., o advogado Thomas Clarke enfrenta uma crise em sua vida pessoal e profissional e decide mudar radicalmente: viaja à Índia para trabalhar em uma ONG que denuncia o tráfico de pessoas e tenta reatar com sua esposa, que o abandonou. Suas vidas se cruzarão em um cenário exótico, envolto por uma terrível rede internacional de criminosos. Abrangendo três continentes e duas culturas, Cruzando o Caminho do Sol nos leva a uma inesquecível jornada pelo submundo da escravidão moderna e para dentro dos cantos mais escuros e fortes do coração humano.


Olá pessoal, tudo bem?!

Hoje venho com a resenha do livro “Cruzando o Caminho do Sol”, do autor Corban Addison. Mesmo sendo o primeiro trabalho literário desse autor, fiquei surpreendida positivamente com a qualidade de sua escrita e a abordagem feita por ele de um tema tão pesado e, ao mesmo tempo delicado: o tráfico de seres humanos. “Cruzando o Caminho do Sol” é um livro que trata desse tema de forma ficcional através da história de duas irmãs indianas, Sita e Ahalya Ghai, e do jovem advogado norte-americano, Thomas Clarke. 
Thomas trabalha para uma conceituada empresa de advocacia, tendo como objetivo profissional a magistratura. Seu foco no trabalho faz com que ele não enxergue a fragilidade emocional de sua esposa Prya e não se dê conta que seu casamento está por um fio. Quando menos espera, sua esposa o deixa e volta para sua terra natal, a Índia.

Enquanto isso, as irmãs Sita (15) e Ahalya (17) lutam pela sobrevivência nas mãos de aliciadores perversos e desumanos. Após um tsunami que destruiu suas casa e família, as meninas não imaginavam que recomeçar poderia ser tão difícil e que confiar nos outros poderia arruinar seus destinos.

As vidas de Thomas e das irmãs pareciam improváveis de se cruzar até o momento em que o advogado decide aceitar trabalhar para a ACE, organização não governamental com sede na Índia, local em que também tentará reconquistar sua esposa. Thomas só não imaginava que o novo emprego o fosse afetar de forma tão profunda ao se responsabilizar pelo caso das irmãs Ghai.

O livro de Addison retrata a realidade do tráfico humano de forma crua, mas não sensacionalista, dando vida e voz a personagens vítimas da crueldade humana. Com sutileza, o autor conseguiu descrever o dia a dia de quem encara essa situação de perto, seja no papel de vítima, seja no papel de quem a combate, descrevendo seus medos, suas angústias, seus sonhos e ilusões. É possível perceber o forte embasamento e conhecimento do autor em relação ao tema, o que dá veracidade e emoção ao texto.

“O mundo podia roubar sua liberdade; podia acabar com sua inocência; podia destruir sua família e arrastá-las por caminhos para além de seu entendimento. Mas não podia privá-las de sua memória. Apenas o tempo tem esse poder...” (pg. 299)

“Uma vez, alguém perguntou à Madre Teresa como ela lidava com a pobreza mundial. Sabe o que ela respondeu? ‘Você lida com o que está na sua frente.’ Isso se aplica aqui também. Os acadêmicos falam em estatísticas. Nós contamos histórias. O que desperta maior interesse?” (pg. 115)

Impossível não se revoltar com o destino de meninas (muitas vezes crianças) que foram aliciadas por criminosos que se aproveitaram de sua fragilidade, vulnerabilidade e inocência; meninas que, sem a opção de escolha, acabaram vítimas do tráfico humano para fins de exploração sexual, trabalho escravo, tráfico de drogas, sendo tratadas como meros objetos e submetidas a constantes maus tratos e humilhações.

“Depois que a menina ruiva terminou de usar o banheiro, o homem gordo desceu as escadas e a pegou pelo braço, levando-a para o andar de cima. A menina abaixou a cabeça e seguiu-o, submissa. A mulher olhou para elas com raiva. Uma das meninas arrastou os pés. A mulher se virou e deu um tapa em sua cara.” (pg. 360)

“Ela seguiu as instruções da mulher e construiu dentro de si uma blindagem contra o sofrimento. Instintivamente, ela compreendeu que demonstrar fraqueza serviria apenas para promover novos abusos.” (pg. 176)

De certa forma, o livro me fez lembrar dos filmes “Quem quer ser um milionário” e “Maria cheia de graça”, além dos livros “O Caçador de Pipas” e “A Cidade do Sol”, de Khaled Hosseini, “A Distância entre nós”, de T. Umrigar e, mais próximo da realidade brasileira, “Meninas da Noite”, do jornalista investigativo Gilberto Dimenstein. Todos têm em comum a descrição de realidades revoltantes, de um submundo de violência, corrupção, mentiras e sofrimento, mas onde, apesar da hostilidade, pessoas boas podem ser encontradas. Acredito que quem tenha gostado de um desses livros ou filmes gostará também de “Cruzando o Caminho do Sol”.

Como é de se esperar, este não é um livro para todos os públicos. Por tratar de tráfico humano e de situações degradantes a que pessoas são expostas, a ficção, muitas vezes, se confunde com a triste realidade de milhares de pessoas, ultrapassando os limites real-ficção, o que pode chocar. Mesmo assim, esse é um livro que eu recomendo muitíssimo e para o qual dou cinco estrelas. Não posso dizer que a leitura foi prazerosa, pois o tema, tão real e atual, não permite que a leitura seja leve, muito pelo contrário – causa revolta, angústia e muita reflexão. Porém, esses mesmos sentimentos me fizeram devorar o livro – com quase 500 páginas – em poucos dias.

A história é tocante, envolvente e cativante, o que nos faz criar empatia pela situação dos personagens logo nas primeiras páginas e querer chorar e torcer junto com eles. Acredito que isso seja resultado da mensagem de fé, esperança e amor que o autor conseguiu passar através das atitudes e pensamentos dos personagens principais mesmo quando eles se viam diante das piores situações. São esses personagens que dão a perspectiva humana da história, nos fazendo pensar que, da mesma forma que existem pessoas más, existem igualmente as boas que arriscam inclusive suas vidas em prol de uma causa maior. Mais uma vez, leitura recomendadíssima!

“A guerra pode ser vencida. Mas não colocando os traficantes atrás das grades. O tráfico vai acabar quando os homens deixarem de comprar mulheres. Até lá, o melhor que podemos fazer é vencer uma batalha de cada vez.” (pg. 381)

By Débora



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6 comentários

  1. Oi Débora!

    Eu simplesmente adorei sua resenha. Este livro está aqui em casa desde janeiro e você me fez ter vontade de lê-lo!

    Até mais! *Hugs*

    Se puder, acessa lá:

    — Blog Bobagens & Livros

    Vou adorar a sua visita! *_*

    — Matheus Goulart

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  2. Oie. Este livro foi o melhor que li nesse ano. Apesar do tema revoltante e triste, a forma como foi conduzida a história fez desse livro uma obra maravilhosa! Realmente o autor usa de forma brilhante a sutileza para falar de um tema tão chocante. Amei. E se este autor lançar outro livro, certo que compro.

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  3. Eu tentei ler este livro, achei ele bem tocante no início, mas depois descobri que ele não era em nada parecido com o que eu pensei que iria ser e acabei desistindo dele.
    Eu adorei a sua resenha, parabéns!
    Beijos, Anderson Vidal
    Hooked for Books

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  4. Este livro é incrível, eu amei mesmo ler ele.
    Primeiramente me apaixonei pelo booktrailer e depois que li então...

    Adorei sua resenha.

    Bia | www.livroseatitudes.com.br

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  5. Que legal! Eu nunca tinha me interessado muito, mas adorei sua resenha!

    xx carol

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  6. Adorei seu blog! Beijos, Bia.
    P.s: Se puder entrar no meu blog... http://doces-livros.blogspot.com.br/
    ;)

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