"Marina" de Carlos Ruiz Zafón

quarta-feira, julho 25, 2012


“Marina”
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Tradução: Eliana Aguiar
Editora: Suma de Letras
189 páginas

Sinopse: Neste livro, Zafón constrói um suspense envolvente em que Barcelona é a cidade-personagem, por onde o estudante de internato Óscar Drai, de 15 anos, passa todo o seu tempo livre, andando pelas ruas e se encantando com a arquitetura de seus casarões. É um desses antigos casarões aparentemente abandonados que chama a atenção de Oscar, que logo se aventura a entrar na casa. Lá dentro, o jovem se encanta com o som de uma belíssima voz e por um relógio de bolso quebrado e muito antigo. Mas ele se assusta com uma inesperada presença na sala de estar e foge, assustado, levando o relógio. Dias depois, ao retornar à casa para devolver o objeto roubado, conhece Marina, a jovem de olhos cinzentos que o leva a um cemitério, onde uma mulher coberta por um manto negro visita uma sepultura sem nome, sempre à mesma data, à mesma hora. (leia mais aqui).


“Todos temos um segredo trancado a sete chaves no sótão da alma. Este é o meu.” (pg. 08)

Olá pessoal, tudo bem?!

Hoje venho com a resenha de “Marina”, do autor espanhol Carlos Ruiz Zafón. Admito que comprei esse livro sem saber muito da história, sendo influenciada pelo nome do autor, do qual já sou fã desde que li “A Sombrado Vento” e “O Jogo do Anjo”. Em “Marina”, para minha felicidade, o estilo de escrita que me cativou se repete e reafirma minha convicção de que Zafón é um dos meus autores favoritos.

Para quem não sabe (como eu não sabia), “Marina” foi lançado em 1999, sendo destinado principalmente ao público juvenil, fato que explica o número de páginas ser menor (apenas 189) quando comparado ao de seus outros títulos de sucesso. No entanto, como o próprio autor explica, os direitos desse livro ficaram por anos em disputa judicial, o que fez com que só recentemente ficasse disponível para leitores em todo o mundo (e a gente comemora).

“Marina” é narrado em primeira pessoa pelo personagem principal, Óscar Drai. Em forma de rememoração/flashback, Óscar volta no tempo para as décadas de 70/80, momento em que tinha 15 anos e vivia em um internato em Barcelona. Como qualquer garoto da idade, Óscar apronta das suas, principalmente dando suas escapulidas do internato para desbravar a cidade. É numa dessas situações que Óscar conhece Marina, menina com idade aproximada da sua e que o deixa meio ‘bobo’ desde o primeiro momento.

“Já tinha visto você algumas vezes (...) Você e aquele garoto com cara de susto. Costumam atravessar a rua quando o internato dá uma folga. Às vezes, você vem sozinho, cantarolando distraído. Aposto que passam muito bem naquela masmorra...” (pg. 19)

Com os encontros se tornando mais constantes, começa a crescer uma grande amizade entre eles. Com muita cumplicidade, Óscar e Marina passarão por aventuras misteriosas e sinistras, dignas de dar frio na espinha. É relembrando essa fase que a história começa, mais especificamente com Óscar recordando seu sumiço em maio de 1980.

“Quinze anos depois, a memória daquele dia voltou para mim. Vi aquele menino vagando entre as brumas da estação de Francia e o nome da Marina se acendeu de novo como uma ferida aberta.” (pg. 08)

O motivo de seu sumiço é envolto em mistério que, mesmo anos mais tarde, ainda se mantém em segredo para ele. É em torno de saber que segredo é esse que a história estará.

“Por quatro semanas, professores e psicólogos escolares me martelaram para que eu revelasse meu segredo. (...) Com o tempo, todos fizeram um esforço para fingir que tinham esquecido o episódio. E eu segui o exemplo. Nunca contei a ninguém a verdade sobre o que tinha acontecido.” (pg. 08)

De alguma maneira, esse livro, logo em suas primeiras páginas, me fez lembrar de “A menina que não sabia ler”. Em ambos os títulos, encontramos adultos rememorando fatos e traumas da infância/adolescência que, por serem tão fortes ou parecerem fruto de uma imaginação fértil, se tornaram segredos. Nesses casos, sempre aparece aquela pulga atrás da orelha, afinal o leitor só conhece um ponto de vista sobre os fatos contados.  Cabe a nós então decidir se acreditamos no personagem ou não (neste caso, eu acreditei em Óscar).

“Examinei as trevas como se esperasse encontrar ali, naquele lugar, a explicação para o que estava acontecendo. Não consegui ver mais do que morte e silêncio. O que estava fazendo ali? Se ainda me restava algum bom senso, deveria voltar para o casarão e dormir cem horas sem interrupção. Aquela era provavelmente a melhor ideia que tivera em três meses.” (pg. 114)

“Por anos, fugi sem saber do que fugia. Pensei que, se corresse mais do que o horizonte, as sombras do passado se afastariam do meu caminho. Pensei que, se a distância fosse suficiente, as vozes de minha memória se calariam para sempre.” (pg. 189)

Adorei o encerramento da história. O autor conseguiu costurar muito bem o início com o final do livro. Após o desenrolar e resolução dos mistérios da história, o final do livro volta a ser mais realista, com direito a muita emoção, porém essa transição ocorre de maneira sutil.

Acredito que quem leu e gostou dos outros principais títulos de Zafón tem muitas chances de gostar desse seu mais recente livro. Em “Marina”, somos novamente envolvidos pela sua escrita, que nos contagia com muito mistério e nos insere no cenário da história. Diversas características estilísticas do autor se repetem. A primeira delas é o tom sinistro e, por vezes, sobrenatural da narrativa. É maravilhosa a capacidade de Zafón em contar histórias de forma intrigante, que nos deixam roendo as unhas e querendo saber logo a resposta para tudo. Outras características que se repetem são a escolha da cidade de Barcelona para cenário da trama e a relação dos personagens principais com livros. Por último, novamente temos uma capa linda que, a meu ver, traduz bastante o clima de mistério da história. Se menina da capa tivesse em torno de 15 anos, com certeza, a relação capa-história estaria perfeita.

Enfim, como vocês já devem ter percebido, gostei bastante de “Marina” e sou fã de Zafón, logo só posso dizer que recomendo a leitura. ;)

By Débora 

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6 comentários

  1. Oi Deh!
    Acredita que eu ainda não li Záfon?
    Preciso fazer isso urgentemente e vou começar com Marina, já que é o único dos livros do autor que eu tenho.
    Muito bom saber que ele insere os mistérios com maestria na trama, adoro isso em livros!
    Beijão!

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  2. Oi, oi!
    Eu também gosto do estilo do Záfon, pois também li A Sombra do Vento porque um professor do ensino médio me recomendou. Lembro que demorei a o ler todo - Tem alguns livros que eu prefiro ir lendo aos pouquinhos, por serem mais pesados - Mas acabei adorando a história, exatamente por ele ter uma espécie de "ar sombrio" pairando até nos cenários mais alegres (Apesar que A Sombra do Vento definitivamente não é um livro muito feliz, hahaha).

    Quanto a Marina, parece um livro interessante. Sempre fiquei meio na espreita quanto a ele por ser pequeno, mas talvez funcione seja mesmo um bom conto menorzinho.

    Beijo, beijo!

    Trinta,
    www.escolhendolivros.com.br

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  3. Não li nada dele ainda então nem posso falar muita coisa. Está na lista, não é a primeira vez que me deparo com comentários positivos *-*

    Isabela

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  4. Ainda não li nada do Záfon, mas tenho muito vontade.
    Marina não é a minha primeira opção, quero ler primeiro O Jogo do Anjo, já até fui atrás dele, porém, quando achei, o preço estava uma facada!
    Sua resenha ficou ótima e me deixou com ainda mais vontade de ler algo escrito por ele!

    Abraços, Anderson Vidal
    Hooked for Books

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  5. Oi!

    Todo mundo fala super bem do Zafón principalmente de "Marina". Mas e o interesse? Sua resenha está ótima parabéns, mas continuo não me interessando!

    Matheus, Bobagens & Livros.

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  6. Oi :)
    Nunca li nada do Záfon mas tenho muita curiosidade , principalmente em relação a esse livro que sempre me pareceu muito interessante. Eu adoro a capa!


    Beijos.
    Sarah Linhares.
    http://gringagirls.blogspot.com.br/

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