"Marta" de Breno Melo

terça-feira, setembro 11, 2012



“Marta” 
Autor: Breno Melo 
Editora: Schoba 
216 páginas 


Sinopse: Marta é bipolar, adolescente e tenta viver uma história de amor. Um velho psiquiatra, disposto a produzir Literatura leiga e fugir das teses para o meio acadêmico, narra os fatos mais significativos da vida de Marta, abrangendo toda a sua primeira adolescência, até que possa caracterizá-la como bipolar tipo I. O mais original é que ele mostra Marta às voltas com a vida que todos levamos — tentando viver sua própria história de amor — e não apenas com o transtorno em si ou tratando dele. 




Olá pessoal, tudo bem com vocês?! 

Hoje a resenha é do livro “Marta” que está viajando o Brasil pelo booktour do qual participamos a convite da Aione (Mi) – Minha Vida Literária. Primeiramente, temos que agradecer a fofa da Mi! Ficamos muito felizes em fazer parte dessa “brincadeira” literária. 

Mas vamos ao que interessa! “Marta” certamente foi um livro muito interessante de se ler. Breno Melo tem um estilo de escrita que há muito tempo não víamos em livros com protagonistas juvenis. Breno mantém certa formalidade com as palavras, a mesma que encontramos facilmente em autores ilustres do passado da literatura brasileira, abordando porém temas atuais, como juventude e os seus dilemas. Breno não se mantém numa abordagem superficial, pelo contrário, todas as situações e personagens são analisados profundamente, o que facilmente cria uma verossimilhança. Com certeza, essa é uma característica que apreciamos, ou seja, quando nos deparamos com personagens que parecem existir realmente, que não parecem ter sido criados apenas para uma história. 

Em sua obra, Breno Melo conta a história de Marta, protagonista que dá nome ao livro, e que tem o diagnóstico da bipolaridade tipo I. Ao contrário do que pensávamos, em nenhum momento a doença é abordada no livro e nem sabemos se Marta possui de fato esse diagnóstico enquanto a história se desenrola. A abordagem que o autor faz está na vida da personagem, no seu dia a dia e nas suas ações. Marta é uma jovem argentina e, junto com Naila e Sílvia, deixa La Falda, uma pequena cidade do interior, com destino à Córdova onde passa a frequentar a faculdade. Morando as três sós e deslumbradas com o que a cidade grande oferece, elas querem descobrir tudo e aproveitar todos os momentos. Marta, porém, mantém a cabeça em La Falda, lugar em que está João, garoto com quem namorou na época de escola, mas que só após o término do relacionamento percebeu o quanto gostava dele. 

“Pior que não ter a quem amamos, é tê-lo na mente todos os dias, sabendo que jamais o teremos em nossos braços, a fim de que soframos mais. Nada pior que lembrar-se do tempo alegre em dias tristes.” (pg. 126) 

As amigas obviamente tentam ajudar Marta com relação a João, cada uma de sua forma, uma vez que elas possuem personalidades bem diferentes. 

“Para tudo sua medida de esforço costumava ser menor que a de Sílvia, inteligentíssima e prática, e menor ainda que a de Naila, impulsiva e atrevida.” (pg. 123) 

Entretanto, Marta está obsessiva, não há conselhos que tirem João de sua cabeça. De certa forma, percebemos que ela mantém um amor doentil com relação a ele. Conhecemos todos seus sentimentos através de passagens de seu diário que o narrador apresenta ao leitor. É nele que a jovem escreve seus mais íntimos pensamentos, dúvidas, sonhos e traumas e são estes os poucos momentos em que a protagonista assume a voz da narração. Durante todo o livro, o leitor se depara com um narrador que parece conhecer muito bem a protagonista e é ele quem conta a sua história e a analisa profundamente. É interessante a tentativa de aproximação e familiarização que o autor faz entre seu narrador e seu leitor, estabelecendo frequentemente diálogos entre ambos. 

“Muita coisa aconteceu desde então, e isso é o que procurarei narrar ao leitor a partir de agora. (...) Não tenho pressa, é verdade, mas sei que o leitor a tem e por isso serei breve ao descrever os últimos acontecimentos.” (pg. 169) 

Além disso, o narrador se mostra sempre muito culto, trazendo frequentemente elementos além da história narrada para explicar a situação da personagem, como ideias filosóficas de pensadores consagrados ou descrição de elementos mitológicos que, na nossa opinião, enriquecem a história, agregando conhecimento, mas sem esquecer o seu foco. Preocupado com a opinião do leitor, o narrador inclusive permite que este pule alguns parágrafos caso não se interesse pela abordagem mais profunda. 

“Deméter – abramos este parêntese na obra ou salte algumas linhas o leitor que já conheça sua história – era a deusa responsável por manter a grama sempre verde e as flores sempre vivas”. (pg. 45) 

“Marta percebia que havia outros corações como o seu neste mundo, amando e sofrendo de igual maneira, e isso a confortava de alguma forma. Não estava sozinha em seus sentimentos e podia ver isso através de Shakespeare ou de Boscán. Havia outros seres de carne e osso com emoções iguais ou semelhantes, mas todos eram exatamente iguais quando sentiam dor, privados de quem mais amavam...” (pg. 124) 

Achamos importante salientar que o livro “Marta” permite a leitura sob quatro perspectivas (leiga, médica, filosófica e/ou pessoal), como o próprio autor salienta no prólogo. Com certeza, nós nos encaixamos na perspectiva ‘leiga’, pois a visão que tínhamos de bipolaridade era outra. Se não tivéssemos o conhecimento da bipolaridade da personagem, com certeza afirmaríamos que ela teria uma depressão leve por causa do amor que não é mais retribuído, um amor, diga-se de passagem, muito puro e bonito. 

“Não seria humano que alguém rememorasse sempre e sempre algo que lhe faz mal. Esquecer é parte do que nos faz seguir adiante apesar do Passado. Nem tudo deve restar claramente em nossas memórias, de modo que um beijo antigo não nos faça parar numa rua qualquer simplesmente porque nos lembramos dele!” (p.175) 

Enfim, “Marta” é um livro tocante, sensível e profundo. Com certeza, vale a sua leitura. O único ponto negativo que podemos levantar é a capa do livro que não faz jus à sua bela história. Gostamos da ideia do título escrito de frente e ao contrário e da pintura de Van Gogh, mas achamos que a arte em si poderia ter sido melhor trabalhada. 



“E quem um dia irá dizer que existe razão para as coisas feitas pelo coração...” (“Eduardo e Mônica” – Legião Urbana). 


By Débora e Alessandra

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3 comentários

  1. Oi meninas!
    Que resenha linda!!
    Fico muito feliz de terem gostado do livro e de terem participado do Book Tour! Adorei Marta também e a forma de como o Breno desenvolveu todo o livro, tanto pela história em si, quanto pela narrativa e toda a bagagem cultural colocada nele!
    Beijão!

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  2. Hey! Não conhecia este livro, obrigada pela dica.
    Ótima resenha. Escreves muito bem :)
    Adorei o blog! Parabéns pelo sucesso. Estou seguindo, viu?
    Se puder retribuir lá no meu, ficarei feliz *-*
    http://foolishhappy.blogspot.com.br/

    Beijocas!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. PS: Também sou gaúcha de Porto Alegre, hein! RRSRSRS

      Excluir

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