"Charlotte Street" de Danny Wallace

quarta-feira, outubro 03, 2012


“Charlotte Street”
Autor: Danny Wallace
Tradução: Bruna Castelhano da Cruz
Editora: Novo Conceito
399 páginas

Sinopse: Tudo começa com uma garota... (porque sim, sempre há uma garota...) Jason Priestley acabou de vê-la. Eles partilharam de um momento incrível e rápido de profunda possibilidade, em algum lugar da Charlotte Street. E então, em um piscar de olhos, ela partiu deixando-o, acidentalmente, segurando sua câmera descartável, com o filme de fotos completo... E agora Jason — ex-prodessor, ex-namorado, escritor e herói relutante — se depara com um dilema. Deveria tentar seguir A Garota? E se ela for A garota? Mas aquilo significaria utilizar suas únicas pistas, que estão ainda intocáveis em seu poder... É engraçado como as coisas algumas situações se desenrolam...


“Um romance engraçado e irreverente. Uma história de amor...”

Olá pessoal, tudo bem?!
Hoje a resenha é de “Charlotte Street”, livro do autor Danny Wallace que também escreveu “Yes Man”, título adaptado para o cinema com Jim Carrey como protagonista.

O que logo chama a atenção neste livro é o fato de ter um homem como autor, pois sabemos que comédias românticas escritas por mulheres dominam o gênero. É interessante termos um autor e a narração da história feita igualmente por um personagem masculino, pois, de certo modo, torna a leitura diferente. Estamos acostumados à versão feminina dos fatos, às dúvidas, anseios, medos e expectativas das mulheres em relação à vida e aos relacionamentos e é legal nos depararmos com essas mesmas questões, mas na voz de um homem e, em “Charlotte Street”, quem assume esse papel é Jason Priestley.

Jason é um jovem homem, na casa dos trinta anos, mas que já se mostra frustrado e desiludido amorosa e profissionalmente. Deixado por Sarah após quatro anos de namoro e com quem sonhava construir uma família, trabalhando como freelancer para o jornal London Now e ex-professor traumatizado, Jason não se reconhece mais e vê que seus planos para a vida não estão seguindo os rumos pretendidos.

“Quando nós mudamos? Nós ainda estávamos fingindo ser adultos, mais exaustos e pessimistas do que éramos? Não sei a quem estávamos tentando impressionar: o mundo ou um ao outro.” (pg. 42)

É com Dev, seu melhor amigo desde a faculdade, que Jason passa a dividir um pequeno apartamento e com quem compartilha suas aflições. É pra ele que Jason confidencia o quanto sente que algo precisa acontecer para dar razão à sua vida, algo para considerar importante e poder dizer que valeu a pena.

“Parece que estamos fazendo sempre as mesmas coisas – ele disse. – Mas o que estamos realmente fazendo? O que seremos capazes de dizer que fizemos?” (pg. 44)

Todos esses sentimentos vêm à tona quando Jason ajuda uma jovem, atrapalhada com sacolas e pacotes, a entrar em um taxi. Imediatamente, Jason fica encantado e, sem perceber, acaba ficando com sua máquina fotográfica descartável enquanto ela vai embora. Após tentativas falhadas de devolver a câmera à dona, voltando ao mesmo lugar na expectativa de encontrá-la, Jason revela as fotos e se encanta ainda mais pela moça nelas retratada. Logo, temos um homem obcecado pela ideia de reencontrá-la. Contando com o apoio do amigo Dev,  Jason começa a criar planos para rever A Garota, de quem nem ao menos o nome sabe. Tudo o que eles têm são algumas poucas fotos que servem de pistas.

“Essas são cliques característicos. Cliques da vida. Momentos felizes ou especiais, e você tem que decidir tirá-las. Você tem que planejá-las. Porque você pode perder os momentos. Você está sempre por um fio de perdê-los.” (pg. 139)

Obviamente, a empreitada serve como um sopro de vida na rotina que Jason vinha encarando e, logo, ele começa a criar expectativas e projeções, mesmo permanecendo com os pés no chão e percebendo o quanto tudo poderia não passar de uma mera ilusão.

“Eu sabia que era tudo bobagem. Sabia que a figura que estava pintando dela era apenas a de uma garota que eu queria conhecer, não interessa o quanto é clichê falar do amor pelos animais, ou da velha e enferrujada bicicleta, ou do casaco azul que ela levava para todo lugar, ou do frescor dos narcisos do florista que ela cumprimentava todos os dias no seu caminho para o trabalho”. (pg. 82)

Durante sua busca, Jason acaba conhecendo e reencontrando pessoas, com quem também precisa esclarecer pendências, traumas e dúvidas. É notável o amadurecimento e o autoconhecimento que o personagem apresenta durante a leitura, lidando com questões como perdão, coragem, amizade e esperança. De certa forma, a busca por A Garota acaba se tornando também a busca por si mesmo e é por isso que, diversas vezes, Jason se pergunta se desistir de algo em que acredita é a melhor opção, afinal ele não quer o sentimento de que seus sonhos foram para o ralo sem ao menos ter tentado. 

“Mas o vazio ainda estava lá. A dor de desistir de alguma coisa que você tinha a esperança de ser mágico. O mágico poderia esperar. Era a hora da rotina.” (pg. 325)

“E assim as coisas ficam tão confusas ao mesmo tempo em que você está tentando se convencer de que tudo está bem. Você adapta a lógica de acordo com a sua vontade.” (pg. 350)

É impossível não torcer para que Jason encontre A Garota e essa angústia dura o livro inteiro, pois o autor não ‘força’ as situações com acontecimentos mirabolantes. Pelo contrário, os momentos que dividimos com o personagem são os do cotidiano da sua vida, com horas tristes e outras alegres. Talvez, por isso mesmo, a expectativa do ‘é agora’ me acompanhou durante toda a leitura (será que ele vai encontrá-la na rua, no pub, na festa...?) e, por vezes, cheguei a acreditar que desistir poderia ser a opção de Jason. No entanto, o final dado pelo autor me surpreendeu e foi melhor do que esperava.

Não posso deixar de citar o humor que o livro possui. Com certeza, o slogan que “Charlotte Street” traz na capa faz jus à história – é, de fato, muito irreverente. Dei boas risadas com os pensamentos e as conclusões das mentes masculinas, principalmente com as tiradas de Dev, sempre muito espirituoso. Por falar nisso, achei de muito bom gosto a construção dos personagens da trama, todos com suas peculiaridades e personalidades específicas, sem se deter tanto nas descrições físicas, o que muito enriqueceu o texto e me cativou. No entanto, demorei para me acostumar com o estilo de escrita do autor. Diversas vezes, me senti confusa com a quebra da narração com pensamentos e diálogos, voltando parágrafos para me certificar de qual personagem a fala era. Mesmo assim, adorei o texto repleto de diálogos inteligentes e verossímeis, personagens humanos e momentos divertidos, o que fez com que me apegasse à história.  Achei a trama ótima e fiquei feliz em saber que ela tem planos de virar filme (A Working Title Films  adquiriu os direitos para adaptar o livro Charlotte Street para o cinema).  Enfim, é uma leitura recomendada e que pode surpreender por sua profundidade reflexiva, como aconteceu comigo.

"As pessoas ao seu redor são você. Elas dividem a sua história. Elas podem até escrevê-la com você. E quando você perde uma, não há dúvida de que você perde uma parte sua.”  (pg. 366)




By Débora


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5 comentários

  1. Não fazia ideia de que Yes Man era um livro, muito menos de que era do mesmo autor de Charlotte Street!
    Também sempre acho legal quando vejo autores e/ou protagonistas masculinos em livros desse gênero, dão um ponto de vista bem diferente do que estamos acostumadas, né?
    Quero muito ler esse e adoro saber que o humor agrada!
    Beijão!

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  2. Achei interessante o livro, principalmente por ter uma abordagem masculina. Livros escritos a partir da visão de uma mulher costumam ser muito melosos, não gosto muito. Talvez eu leia.

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  3. Oi meninas!

    Eu estou com esse livro aqui pra ler, mas a capa e tudo mais não me anima. Ótima resenha!

    *hugs*, Matheus Goulart.
    Depois passa lá no blog pra ver o novo visual *--*
    www.bobagenselivros.com

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  4. Ótima resenha!
    Sou curioso sobre este livro, parece ser muito bom!

    Abraço, Anderson Vidal
    Hooked for Books

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  5. Oi meninas,
    Comecei a ler o livro mas, ainda não me animei com a leitura. Já dei algumas risadas também, achei legal o livro ser narrado por um homem, não tem muitos romances assim. O me fez querer ler o livro de primeira foi a capa e pelo fato da história ser passada em Londres. <3

    Bjos,
    Verbologia Pink

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