"Pequena Abelha" de Chris Cleave

sexta-feira, julho 12, 2013

"Pequena Abelha"
Autor: Chris Cleave
Tradução: Maria Luiza Newlands
Editora: Intrínseca
270 páginas


Sinopse: Essa é a história de duas mulheres cujas vidas se chocam num dia fatídico. Então, uma delas precisa tomar uma decisão terrível, daquelas que, esperamos, você nunca tenha de enfrentar. Dois anos mais tarde, elas se reencontram. E tudo começa… Depois de ler esse livro, você vai querer comentá-lo com seus amigos. Quando o fizer, por favor, não lhes diga o que acontece. O encanto está sobretudo na maneira como essa narrativa se desenrola. 






Olá pessoal, tudo bem com vocês?!
Hoje a resenha é do livro “Pequena Abelha”! Como vocês podem ver, a sinopse pede para aquele que lê não contar muito da história... pois bem, não farei isso hehehe, não vou estragar a surpresa.

Mesmo assim, preciso contar para vocês aquilo que achei da história e da escrita de Cleave. A primeira coisa que me surpreendeu foi a maneira como o autor consegue assumir um discurso feminino para narrar o livro. A história se dá com a narração em primeira pessoa por parte de duas personagens principais, duas mulheres com personalidades e vidas totalmente diferentes, mas que, por força do destino, se aproximam. Os capítulos são intercalados com a narração dessas personagens, e é muito fácil perceber o ótimo trabalho que Cleave teve ao descrever os medos, dúvidas e ansiedades femininas. Como leitora mulher, até esquecia que o autor era, na verdade, um homem.

Outro ponto positivo do livro foi a sua capacidade de despertar sentimentos verdadeiros de empatia. Sabem aquele tipo de leitura impossível de se manter distante? Então, “Pequena Abelha” faz exatamente isso. Não dá pra ler e ser imparcial. A gente fica com raiva, mágoa, tristeza ou alegria junto com os personagens. Acho que isso se deve principalmente ao fato de “Pequena Abelha” ser um livro reflexivo sobre uma situação muito dolorosa e atual que é a vida dos refugiados, mas, muito mais que isso, “Pequena Abelha” nos faz pensar constantemente em como as boas pessoas podem ser doces e humanas mesmo nas piores situações (apesar das poucas páginas, é um livro denso).  A única coisa que eu não gostei muito na leitura foi o seu final, pois esperava um desenrolar mais objetivo, fato que, ao meu ver, não acontece, mesmo acreditando que o autor tenha deixado a situação em aberto propositalmente.

Mas é isso aí leitores, não vou me estender mais para não acabar contando a história. Ah, como não podia ser diferente, enquanto lia o livro, fui marcando algumas passagens que agora deixo aqui embaixo para vocês só para dar um gostinho:

“A menina africana que eles trancaram no centro de detenção de imigrantes, coitadinha, aquela nunca saiu realmente dali. Dentro da minha alma, ela ainda está presa lá, para sempre, sob as luzes fluorescentes, encolhida no piso de linóleo com os joelhos enfiados debaixo do queixo. E essa mulher que eles soltaram do centro de detenção de imigrantes, essa criatura que eu sou, essa é uma nova raça humana. Não há nada de natural em mim. Nasci – não, renasci – no cativeiro. Aprendi minha língua nos seus jornais, minhas roupas são o refugo das suas e é a sua libra que faz meus bolsos sofrerem com sua ausência.” (pg. 05)

“(...) uma cicatriz nunca é feia. (...) Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriz significa: ‘Eu sobrevivi.’” (pg. 17)

“Mas o filme na sua memória, desse não se pode livrar assim com tanta facilidade. Onde quer que você vá, ele está sempre passando dentro da sua cabeça. Portanto, quando digo que sou uma refugiada, você deve compreender que não existe refúgio.” (pg. 54)


“A pessoa viaja para um lado e para outro tentando sair da sombra da nuvem e nada dá certo, e então um dia percebe que vinha carregando o tempo escuro consigo. Era o que eu estava explicando a Abelhinha (...).” (pg. 175)

E aí pessoal, já leram "Pequena Abelha"?

By Débora

Poderá gostar também

3 comentários

  1. Oie!

    Logo que o livro foi lançado eu tinha muita vontade de ler, mas ainda não tive oportunidade.
    Essa coisa de não poder contar me deixa muito curiosa...
    Quero muito ler.

    Também sou de Porto Alegre o/

    Beijinhos*
    http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Olá Nessa, nossa conterrânea :)
    Realmente, é um livro que a sinopse por si só desperta a nossa curiosidade com essa história de não poder contar hehehe Mas é uma leitura que vale a pena, recomendo!
    Bjos

    ResponderExcluir
  3. jah vi cheguei ateh a pegar esse livro e ver a sinopse mas ainda não li, também não gosto de finais em aberto, mas se tiver oportunidade vou ler ^^"

    --
    Caue
    hangover at 16

    ResponderExcluir

- É permitido divulgar o endereço do blog/site, desde que seja feito em um comentário a respeito do post.
- Comentários realizados apenas para divulgar blogs/sites/promoções serão apagados.
- Utilize o formulário de CONTATO para avisos a respeito de memes/promoções/parcerias.

Popular Posts

Twitter

Instagram