Introducing you a Movie: "Camille Claudel - 1915"

segunda-feira, outubro 28, 2013

"Camille Claudel - 1915"
Direção: Bruno Dumont
Roteiro: Bruno Dumont
Ano: 2013
País: França
Gênero: Drama

Sinopse: Inverno, 1915. Contra a sua vontade, a escultora Camille Claudel (Juliette Binoche) é internada pelos familiares em um asilo psiquiátrico mantido por religiosas, e permanece durante anos na instituição, sem poder sair. Ela afirma várias vezes que está perfeitamente sã, mas desenvolve uma mania de perseguição, acreditanto que seu ex-amante Auguste Rodin conspira contra ela, e que todos no asilo tentam envenená-la. Camille passa os dias cercada por internos com deficiências mentais e surtos psicóticos graves, não tendo ninguém com quem conversar. Sua única esperança é uma carta enviada clandestinamente ao irmão Paul (Jean-Luc Vincent), implorando por sua liberação. Quando Paul confirma que vai visitá-la, Camille aguarda com impaciência a oportunidade de mostrar ao irmão que pode viver em sociedade.

Olá pessoal, tudo bem com vocês?!

Hoje a resenha que trago é do filme "Camille Claudel - 1915". Este é mais uma cinebiografia da talentosa escultora francesa Camille Claudel (1864-1943), que enquanto viva nunca teve seu trabalho verdadeiramente reconhecido, tendo muitas vezes sua arte colocada como sombra ou cópia da arte de Auguste Rodin, seu mentor e seu amante durante anos. As consequências dessa falta de reconhecimento, aliadas à repressão feminina, ao desprezo de Rodin e à morte do pai - seu único incentivador - fizeram-na sucumbir à histeria, fato que culminou com a sua internação em um manicômio no sul da França. O filme em si não retrata as causas dessa internação, pelo contrário, ao telespectador cabe somente conhecer sua consequência, ou seja, o confinamento em um sanatório. 

É neste angustiante período de internação, ao qual a protagonista foi submetida depois de uma crise nervosa, que o foco do filme estará, diferentemente da versão do ano de 1988, que contou com a direção de Bruno Nuytten, mas que relata a juventude da artista, sob interpretação de Isabelle Adjani. "Camille Claudel - 1915", estrelado pela brilhante atriz Juliette Binoche, parece na verdade uma sequência filmográfica da vida da artista. Nesse filme, conhecemos Claudel como uma mulher em torno dos 50 anos, isolada em um manicômio, privada de sua arte e sem referências familiares ou afetivas. 

A estética do filme em si parece uma grande natureza-morta, com grande carga simbólica, que passa ao telespectador a mesma angústia e o mesmo desespero sentido por Camille em seu período de reclusão. Com o filme, não é possível concluir se a internação de fato era justificada. Geram-se dúvidas a respeito do que é real, não sendo possível saber se as afirmações de Claudel são verídicas, resultado de tormentos ou de delírios (esquizofrenia, por exemplo). De qualquer forma, percebe-se o quão deslocada a escultora se encontra no local, o que faz com que o telespectador se pergunte constantemente a respeito da necessidade da internação e espere e torça para sua saída do manicômio (para quem não conhece sua biografia). 

Essa luta surda contra o confinamento forçado ao qual foi submetida Claudel ganha muita força com a interpretação de Binoche que, mesmo na contenção, atua de forma sublime. O silêncio de Camille, mas seu espírito inquieto privado de liberdade e de expressão, cheio de paixão e determinação, fica evidente no olhar seguro, no andar firme e na rebeldia dos gestos de Juliette Binoche. Sua força de vontade em busca da liberdade ganha ainda mais vazão quando somos expostos a diversos personagens, com as mais diferentes condições e distúrbios mentais, os quais, em contraponto com a protagonista, a deixam realmente com ares de desespero e imobilização no tempo e no espaço. Não há alívio para esse desespero, existe sempre a sensação de sufocamento. A atmosfera angustiante da vida confinada em um sanatório ganha ainda mais valor com os figurantes, não profissionais e com doenças mentais reais, escalados para o filme e que interpretam os internos. Devo salientar a forma humana e respeitosa como eles são retratados, o que dá ao filme ares de obra minimalista. Por falar nesses figurantes, é necessário dizer o quanto eles tiveram a capacidade de cativar. São personagens com poucas falas, mas com grande capacidade de demonstrar emoção, principalmente através do olhar. 

"Camille Claudel - 1915" é um filme denso, onde os diálogos em si são poucos e somente os necessários, pois os olhares acabam por falar mais que as palavras. É um filme que trabalha com emoções contundentes e, talvez por isso, mesmo quando acaba ainda ficamos alguns minutos imóveis pensando a respeito. Enfim, recomendo o filme, tanto para quem conhece Claudel quanto para aqueles que não. Além de ser uma biografia, é um filme sobre a vida. Vale a pena ver.



By Débora

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2 comentários

  1. Não sei se veria esse filme, não faz muito meu estilo mas parece ser interessante. Me pareceu ser bem pesado mas ainda assim fiquei curiosa, beijos!

    http://alguns-livros.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Realmente Wandressa, não é um filme leve... ainda mais por sabermos que se trata de uma história verídica!
      Bjos

      Excluir

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