"Diga aos Lobos que Estou em Casa" de Carol Rifka Brunt

quinta-feira, maio 22, 2014

"Diga aos Lobos que estou em casa"
Autora: Carol Rifka Brunt
Tradução: Bárbara Menezes
Editora: Novo Conceito
464 páginas

Sinopse: 1987. Só existe uma pessoa no mundo inteiro que compreende June Elbus, de 14 anos. Essa pessoa é o seu tio, o renomado pintor Finn Weiss. Tímida na escola, vivendo uma relação distante com a irmã mais velha, June só se sente “ela mesma” na companhia de Finn; ele é seu padrinho, seu confidente e seu melhor amigo. Quando o tio morre precocemente de uma doença sobre a qual a mãe de June prefere não falar, o mundo da garota desaba. Porém, a morte de Finn traz uma surpresa para a vida de June – alguém que a ajudará a curar a sua dor e a reavaliar o que ela pensa saber sobre Finn, sobre sua família e sobre si mesma. No funeral, June observa um homem desconhecido que não tem coragem de se juntar aos familiares de Finn. Dias depois, ela recebe um pacote pelo correio. Dentro dele há um lindo bule que pertenceu a seu tio e um bilhete de Toby, o homem que apareceu no funeral, pedindo uma oportunidade para encontrá-la. À medida que os dois se aproximam, June descobre que não é a única que tem saudades de Finn. Se ela conseguir confiar realmente no inesperado novo amigo, ele poderá se tornar a pessoa mais importante do mundo para June. "Diga Aos Lobos Que Estou Em Casa" é uma história sensível que fala de amadurecimento, perda do amor e reencontro, um retrato inesquecível sobre a maneira como a compaixão pode nos reconstruir.



Olá pessoal, tudo bem?!

Hoje a resenha que trago é de um livro que estava esperando ler desde que foi anunciado seu lançamento. Quando recebi da parceira Novo Conceito, comecei logo a lê-lo e devo dizer que a espera valeu a pena. "Diga aos Lobos que Estou em Casa", da autora Carol Rifka Brunt, é um livro carismático, sensível, profundo, com história marcante e reflexiva. Hoje, mesmo depois de passados alguns dias desde que terminei de ler, a trama ainda está viva e fresca na minha cabeça, pois seus personagens são humanos, com problemas reais e verossímeis.

"Diga aos Lobos que Estou em Casa" é narrado pela protagonista June Elbus, uma adolescente de 14 anos que, como muitos jovens, se sente deslocada, o que a faz se fechar em seu próprio mundo. June é tímida, não tem muitos amigos na escola, não é a mais bonita e nem a mais inteligente, e vive às sombras da irmã mais velha, Greta, talentosa, bonita e inteligente, um tanto popular por fazer parte do grupo de teatro da escola. Greta e June costumavam ser melhores amigas na infância, mas, ao entrarem na adolescência, começaram a se distanciar, e hoje enfrentam uma relação de ciúmes e rancor. Com o distanciamento da irmã, agora June vê, em seu tio materno Finn, o seu melhor amigo. Para ela, o que realmente importa e lhe faz feliz, é passar seu tempo com o tio, que é também seu padrinho. É com ele que June sente que pode ser compreendida e se expressar, ser ela mesma sem esforço, além de dividir sua paixão pela Idade Média e seus sonhos sem medo de ser rechaçada. Porém, Finn está com os dias de vida contados. Seu tio tem AIDS e está na sua fase terminal. Sabendo da proximidade do seu fim, Finn, um artista plástico conhecido, decide pintar suas sobrinhas juntas em seu último quadro como uma última recordação sua para as duas. Para toda a família, é um momento difícil e doloroso, tanto pela perda de um ente querido quanto pelo preconceito e falta de tratamento ou expectativas em relação à doença, uma vez que a história se passa nos Estados Unidos, no final dos anos 80, época em que não se tinha muito conhecimento sobre a AIDS, o que a tornava mais assustadora e misteriosa do que hoje e, consequentemente, o preconceito com relação aos doentes imperava. 

"'Ar fresco e luz do sol', o juiz dissera, afirmando que achava mais seguro para os funcionários do tribunal não ficarem em uma sala apertada com germes como aqueles. Entrevistaram pessoas na rua para ver se elas achavam que o juiz estava sendo razoável. Uma mulher disse que não tinha certeza, mas achava que era melhor prevenir do que remediar. Depois, veio um homem que disse que não era o juiz que era louco, era a AIDS que era louca". (pg. 180)

Porém, para June, nada disso importa. Seu único medo é com a perda de seu único amigo, seu tio Finn. O inevitável entretanto acontece, mas June não espera que durante o velório de seu tio, passe a conhecer Toby, namorado que Finn nunca apresentou à família devido ao preconceito (em especial da mãe de June, irmã de Finn) com relacionamentos homossexuais. Além de não aceitar a orientação sexual de Finn, a família ainda acredita que seja esse o motivo de ele ter se contaminado com o vírus da AIDS, e culpa Toby por isso.

"Achei que Toby não parecia ruim. Um tipo estranho de homem, mas simpático o bastante. Mas sua mãe, ela não gostou dele na hora. (...) E, então, anos depois, quando o Finn ficou doente... Bem, Toby era a resposta para tudo. Ele fez o Finn ficar preguiçoso, fez o Finn parar de pintar, afastou-o da família e, depois, além de tudo, passou AIDS para ele. Acho que ela imaginou que, de alguma maneira, sem o Toby as coisas poderiam ter sido diferentes para ela e o Finn." (pg. 257)

Toby entretanto precisa falar com June, precisa entregar a ela presentes e objetos de seu tio, e explicar tudo o que aconteceu, contar sua versão da história. Na ânsia de saber mais sobre Finn, conhecer um lado dele que ela não pôde conhecer enquanto ele estava vivo, ficar próximo de seu tio, nem que fosse por meio de lembranças, e dividir histórias sobre uma pessoa amada por ambos, June fica em dúvida se dá uma chance a Toby, ao homem que sua família acusa ser o responsável por toda essa situação. Seus questionamentos são postos em xeque quando June encontra, em uma lembrança deixada pelo tio, um bilhete escrito por ele mesmo, pedindo à sobrinha que cuide de Toby por ele. Agora, June precisa decidir o que fazer, como agir. Será capaz de resistir em saber mais sobre o lado de Finn que não conhecia e conhecer o homem que amava e era amado por seu tio? Será possível dar uma chance ao homem que sua família afirma ser o responsável pela morte de Finn, a pessoa que ela mais estimava na vida e por quem tinha sentimentos ambíguos? 

"Mas e se você acabasse no tipo errado de amor? E se você, por acidente, acabasse no tipo apaixonado com alguém por quem seria tão nojento se apaixonar que nunca poderia contar a ninguém no mundo a respeito? O tipo que você teria de empurrar tão fundo dentro de si mesmo que quase transformaria seu coração em um buraco negro? (...) Até que você fosse aquilo. Até que tudo o que já vira ou pensara o levasse de volta para uma pessoa. A pessoa que você não deveria amar daquele jeito. E se essa pessoa fosse seu tio e todos os dias você carregasse aquela coisa nojenta como você por aí, pensando que pelo menos ninguém sabia e, enquanto ninguém soubesse, tudo ficaria bem?" (pg. 354) 

Apesar de "Diga aos Lobos que Estou em Casa" parecer um livro pesado e denso por tratar de um tema como a AIDS em uma época em que a doença era tabu, a história é sensível, às vezes até poética, o que dá leveza à trama. A autora, ao meu ver, soube conduzir a história de forma real, com dilemas e dúvidas compreensíveis, com personagens bem contruídos e originais, profundos na medida certa. Além disso, a mensagem de amizade, superação e cumplicidade, que se fortalece nos momentos difícieis e dolorosos, é muito bonita. Fui cativada pela história da família, pelos personagens June, Greta, Toby e Finn, o que fez as quase 500 páginas passarem voando (acabei o livro em poucos dias e, ao meu ver, ele teve o tamanho adequado para incorporar e costurar todos os elementos e questões). Preciso falar também sobre a capa, que certamente foi o que logo chamou minha atenção quando a Editora anunciou seu lançamento. Que capricho! Além de bonita, ela é simples, mas, ao mesmo tempo, chamativa e enigmática, com elementos que passam a fazer sentido ao se ler a história. Alguém duvida de que eu recomendo esse livro? 

By Débora


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