"O Retrato" de Charlie Lovett

sexta-feira, novembro 06, 2015

"O Retrato - um romance de obsessão"
Autor: Charlie Lovett
Tradução: Bárbara Menezes
Editora: Novo Conceito
414 páginas

Sinopse: 1995. A morte precoce de Amanda Byerly foi um golpe duro, que encheu de tristeza o coração de seu marido, Peter. Mais introspectivo do que nunca, ele decide deixar os Estados Unidos e se instalar na Inglaterra, onde passa a se dedicar à recuperação e à negociação de livros raros. Em um de seus dias de pesquisa solitária, Peter se depara com o retrato de uma jovem muito parecida com sua amada esposa, guardado dentro de um livro. A semelhança impressiona, mas a aquarela foi pintada há muito, muito tempo. Trilhando um sinuoso caminho entre a era vitoriana e o final do século XX, Peter passa a investigar a origem do misterioso retrato. As pistas acabam por levá-lo a se envolver em um mistério histórico: uma obra perdida do dramaturgo William Shakespeare. O RETRATO é uma fascinante mistura de suspense e paixão que nos convida a viajar no tempo, no rastro de histórias sobre livros.

Olá pessoal, tudo bem com vocês?!

Hoje a resenha que trago é do livro "O Retrato", do autor Charlie Lovett, que até então não conhecia, mas cujo livro e escrita me convenceram bastante de sua qualidade enquanto autor.

A história criada por Lovett nos apresenta Peter Byerly, um homem que se encontra em depressão após a perda precoce e repentina da esposa Amanda. Ela e Peter conheceram-se na juventude, na faculdade, graças aos livros, pois Amanda passava longos períodos concentrada em leituras na biblioteca na qual Peter trabalhava. Enquanto Peter mostrava-se um jovem introspectivo, retraído, afastado dos pais e com pouquíssimos amigos, Amanda era uma garota de família abastada, extremamente culta e de beleza marcante. Mesmo com todos os motivos que aparentemente fariam a união ser difícil, os dois se apaixonam, se casam e fazem planos. Para Peter, Amanda era seu porto seguro, pois foi com sua segurança que ele passou a conhecer mais de um outro mundo que até então desconhecia e evitava. Porém, com a súbita morte do amor da sua vida, Peter afasta-se dos familiares, amigos e inclusive do trabalho que ama - especialista em livros raros - pois estes o fazem lembrar de Amanda.

Tentando retornar aos poucos à rotina, Peter é aconselhado pelo terapeuta a se mudar dos Estados Unidos para uma pequena cidade na Inglaterra, local onde montava uma casa com Amanda e planejava viver, e a retomar o seu trabalho. Reconstruindo a vida no novo país, Peter visita sebos em busca de livros antigos e raros para negociação. É em uma dessas andanças que ele encontra casualmente um retrato em aquarela muito antigo esquecido dentro de um livro com mais de século de idade, cujo último dono foi Edmond Malone. Até aí, nada seria alarmante, não fosse o fato desse retrato ser de uma mulher cuja semelhança física com sua falecida esposa Amanda é enorme. O susto, evidentemente, é grande e o deixa atordoado, pois poderia-se mesmo dizer que a retratada fosse sua Amanda. Curiosamente, o retrato não possui nenhuma informação sobre quem seria a pessoa retratada, o ano, o artista, apenas as inscrições A.I no canto da folha. Suas únicas pistas para descobrir quem é o responsável pela pintura e quem é a moça tão parecida com Amanda estão presentes no livro no qual o retrato estava esquecido. Agora, com um livro e um retrato em mãos, Peter precisa partir em busca de informações para decifrar quem foi o pintor de aquarelas misterioso, de identidade desconhecida, mas que, há séculos atrás, retratou uma jovem com o rosto exatamente igual ao de sua recém falecida esposa. Com essa nova missão na vida, Peter encontrará não só a verdade sobre o retrato, mas também informações e uma raridade literária, o Santo Graal da literatura, que poderão mudar sua vida e sua carreira.

"Peter sentiu o piso geralmente sólido da Sala Devereaux se mexer sob seus pés. Olhou para a pilha de livros e panfletos à espera da chegada do Dr. Kashimoto. Não tinha esperado ter suas noções preconcebidas do mundo desafiadas quando chegara à faculdade, mas ter uma dúvida daquelas apresentadas pelo seu mentor, sobre um princípio tão básico da cultura ocidental, era como se lhe dissessem que a verdade não era verdadeira ou que a realidade não era real". (pg. 90)

"O Retrato", como é de se esperar, é um livro que traz muitos detalhes e informações que dão legitimidade aos fatos da história. Já vi que alguns leitores não gostaram dessa quantidade de informação, pois, de acordo com eles, deram morosidade ao texto. Eu, pelo contrário, não concordo. Achei que os detalhes foram na medida certa e todos dentro do contexto. Diria que o livro "O Retrato" se encontra no mesmo patamar de "O Código da Vinci", no sentido de trazer informações históricas, dados e fatos para dentro de um romance, o que exige atenção do leitor, mas enriquece igualmente o texto. Porém, ao invés de assuntos religiosos, o texto de Charlie Lovett aborda questões literárias, como falsificações, livros raros, recuperações, colecionadores, autores e pseudônimos ao longo dos séculos. Consequentemente, "O Retrato" é "um livro feito para aqueles que amam os livros", como diz a frase na contracapa do livro. 

Com narração em terceira pessoa, o autor intercala a trama três épocas diferentes: o presente do ano de 1995, o passado recente dos anos 80 e o período que engloba os séculos XVI e XIX. Esta última época é a que engloba a maior parte informativa da história, com dados muito interessantes envolvendo manuscritos de Shakespeare e falsificações de seus textos. O autor dá uma aula sobre as vertentes Oxfordiana e Stratfordiana que discutem e divergem sobre a real existência de William Shakespeare (eu fiz várias anotações; fãs do autor e de literatura inglesa vão adorar).

Acredito que tenha sido justamente a carga de informação, entrelaçada numa rede de mistério, obsessão e assassinato, que tenha feito eu achar a leitura extremamente envolvente e prazerosa. Entretanto, essas são características que muitos leitores podem desgostar, então talvez a leitura não seja apropriada. Contrariamente, para mim o texto funcionou e fluiu. Quando não estava lendo o livro, me pegava matutando sobre o desenrolar da história, tentando desvendar os mistérios levantados ao longo das páginas. A própria morte de Amanda se mostra uma incógnita para o leitor, uma vez que sua causa não é dita durante boa parte da leitura, o que nos faz tentar deduzir como isso aconteceu. Porém, o amor de Peter por Amanda é algo inquestionável. O leitor é facilmente fisgado pela dor e pelo sofrimento que Peter encara com a falta da esposa, fazendo com que se crie expectativa pela superação do personagem. Da minha parte, vale apenas dizer que aproveitei e adorei "O Retrato" e que este é um livro que super indico. 

By Débora

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